Se você sente que a educação
do filhote escapou ao seu controle, é hora de
reavaliar a maneira como conduz a relação
com ele.
- Se não deu
para prevenir, corrija
- Regras que resultam em boa conduta
- Punições, resultados e conseqüências
Os pais são os primeiros responsáveis
pela educação dos filhos. Certas ou erradas,
as suas atitudes refletem nas ações dos
herdeiros: pais são modelos e o filho é
o espelho. Além da relação com
os pais, outras variantes interferem no comportamento
infantil: problemas emocionais, fatores genéticos
e disfunções do organismo. Nehuma delas
deve levá-lo ao desespero, pois há solução
para tudo; basta encarar o problema.
- Se não deu
para prevenir, corrija
Boca suja
Você fala palavrão? Quando está
dirigindo, às vezes, escapa um, não é?
Então, sinta o puxão de orelha! Crianças
aprendem imitando os adultos. Antes de repreender seu
filho por falar palavras feias, corrija o seu próprio
comportamento. Se esse não é o caso, uma
dica que funciona com os pequenos, é chamar sua
atenção dizendo que vai lavar a boquinha
suja deles. Também não permita que tios,
primos e avós achem graça na situação:
essa atitude estimula a criança a continuar falando
bobagens. A hora de dormir ou quando a criança
brinca tranqüilamente são ótimos
momentos para reforçar que palavrões são
feios e não devem ser repetidos. Na "calmaria"
elas ficam atentas e absorvem facilmente aquilo que
lhes for dito. Adequar a maneira de falar à idade
de seu filho é importante: uma criança
de 3 anos repete o palavrão e não sabe
o que quer dizer, mas uma criança de 8 anos já
sabe.
Escândalo
em público
Jamais atenda a exigências de seu filhote por
vergonha da choradeira diante das outras pessoas. Se
o fizer, ensinará que, gritando, chorando e se
jogando ao chão, ele conseguirá o que
quiser. Ajoelhe para ficar da altura da criança
e chamar a sua atenção. Peça, com
firmeza, que olhe para você. Dê a ela a
oportunidade de desabafar, perguntando o que quer e
por quê. Proponha comprar o objeto do desejo no
aniversário ou no Natal. Ou diga que sente muito,
mas não dispõe de dinheiro. Descreva os
motivos com calma, paciência e gestos afetuosos.
Se a criança continuar agitada, explique que
espernear não resolverá o problema e a
convide-a a ver outras vitrines. Se a criança
aceitar o acordo, beije-a ou faça um gesto de
carinho. Ensinar a passividade e a desistência
dos desejos acarreta o risco de forjar um adulto sem
expectativas nem forças para lutar por ideais,
que abre mão dos desafios diante do primeiro
obstáculo. E não é isso que queremos.
Para acabar com
as brigas
Converse com a criança antes da visita chegar.
Discretamente, sem mostrar a sua preocupação,
sugira ao seu filho que mostre os brinquedos para os
amiguinhos que logo estarão com ele. Sugira a
ele selecionar os brinquedos: guardar em lugar seguro
aqueles que não quer dividir e deixar os outros
disponíveis para brincar com os colegas. Isso
evita confusão.
Criança
levada, atenção redobrada
Comportamento agressivo e gestos bruscos merecem um
olhar atento, pois há riscos de acidentes. A
mensagem que a criança passa é a seguinte:
"Olhe para mim, estou aqui, fale comigo".
Dê a atenção exigida no momento.
Não é correto pular no sofá, mas
a criança não espera gritos, nem tapas,
apenas uma historinha ou um aconchego. Há atitudes
que funcionam como "calmantes". Quando o filho
não pára de correr, pular e gritar pela
casa, faça cócegas nele, sussurre palavras
doces e dê um abraço gostoso. Acalma a
criança e dá a ela a segurança
e o colo de que precisa. Esporte descarrega a energia;
para a meninada agitada é uma ótima pedida.
Brincar em lugares abertos, também: dá
para correr, andar de bicicleta e jogar bola. Não
esqueça de alimentá-los e hidratá-los
bem para essas atividades.
- Regras que resultam
em boa conduta
Prometer e não cumprir tem um péssimo
significado para os filhos, pois quebra a confiança
depositada nos pais.
Não encha a criança de brinquedos caros
e sofisticados para compensar a sua ausência:
quando adulto pensará que pode comprar tudo na
vida, inclusive pessoas.
Melhore o seu comportamento, ou logo estará se
perguntando: "com quem esse menino aprende essas
coisas?"
Use o bom senso para impor limites. Se a criança
pular no sofá com você por perto para garantir
que não se machuque, tudo bem. Mas se pendurar
no lustre é abuso!
Faça questão de chegar na hora certa aos
compromissos que envolvem seu filho - reunião
na escola, pediatra e festa dos amiguinhos. Atrasos
fazem a criança pensar que não é
importante para você, desencadeando rebeldia.
Questione aspectos morais, fale da convivência
em sociedade e mostre indignação diante
de coisas erradas para deixar bem clara a importância
da ética e da honestidade.
Obrigações domésticas ensinam noções
de organização: guardar brinquedos, arrumar
o próprio quarto, retirar o prato da mesa, colocar
o copo na pia e hora certa para as tarefas da escola.
- Punições,
resultados e conseqüências
Vale refletir sobre as suas atitudes em situações
de estresse. As crianças estão sempre
testando os limites dos pais. Quando você responde
com agressividade, mostra que seu emocional não
está equilibrado naquele momento e atesta falta
de controle sobre o pequeno danadinho.
Grito
O grito funciona como "quem manda aqui sou eu".
Tenha cuidado, pois estará ensinando que o grito
é sinal de poder. Logo a criança se tornará
forte o suficiente para gritar com quem ousar contrariá-la,
inclusive com você. O tom de voz deve ser firme
e claro. Uma ordem ou uma repreensão não
deve vir carregada de emoção - olhos vermelhos
e veias sobressaltadas. Não é preciso
exagerar, basta garantir que a criança obedeça.
Castigo
Fale sobre o motivo do castigo. A falta de explicação
valoriza a punição e a razão fica
esquecida. Não magoe ou humilhe a criança.
Essas sensações marcam negativamente a
personalidade de qualquer pessoa. Pergunte a ele se
acha o castigo justo. Converse sobre a punição
adequada para chegar a um acordo que satisfaça
a ambos. Você se surpreenderá com o resultado,
desde que se faça cumprir o combinado. Não
seja malvado. Cortar o passeio na hora "h",
trancar no quarto e proibir o doce favorito só
irritam a criança e têm efeito destrutivo.
Chantagem e ameaça
A intenção é amedrontar para que
a criança obedeça, caso contrário
algo de ruim acontecerá. Isso traz angústia
e desperta a raiva. Mais tarde, as próprias crianças
usarão a mesma técnica com os pais. Mãe
tem mania de ameaçar contar ao pai as travessuras
do filho. A transferência de autoridade tem dois
lados: deixa a mensagem de que o papai não está
presente, mas participa da educação da
criança. Porém, dá a idéia
de que além da mãe ser "dedo duro",
não é capaz de tomar atitudes severas.
Palmadas
Agressão ao menor é proibida por lei.
Bater no rosto ou na cabeça humilha a criança
e gera mágoa no lugar da solução.
Partir para a loucura é sinal de que você
não dá conta da carga emocional imposta
pelo que está à sua volta. É a
descarga do estresse provocado pela tensão vivida
no trabalho, problemas familiares e financeiros e frustrações.
É, também, uma reação imediatista.
Afinal, educar com sabedoria demanda tempo e paciência.
Repare, no dia-a-dia, que bater resolve na hora: a criança
pára de fazer arte e fica quieta. Mas no dia
seguinte repete as traquinagens.
Consultoria: Daniela Ruiz, psicóloga graduada
pela Universidade São Marcos, em São Paulo.
Cursa o último ano de Psicánlise pela
"Associação Médica Holística
de Psicanálise". Telefone: (11) 6163-7912
(consultório). E-mail: daneiz@terra.com.br |